Entrevista

Em 11/03/2010 | 17:28h

Entrevista: Cesar Castelli da TCS Brasil

Entrevista: Cesar Castelli da TCS Brasil
Corpbusiness teve uma ótima com presidente da subsidiária brasileira de uma das principais empresas de TI do mundo, a Tata Consultancy Services.

Aproveitando o período positivo e o clima de confiança vivido por muitas empresas do mercado de tecnologia no final de 2009, decidimos procurar conversar com alguma empresa de representatividade no mercado, e a Tata “caía como uma luva” naquele perfil que precisávamos para a última capa do ano.

 

A TCS é a empresa de Tecnologia da Informação do Grupo TATA, de origem indiana, foi fundada em 1968 e, hoje, figura no 11º lugar do ranking de empresas de TI do mundo. A companhia opera em mais de 42 países e conta com mais de 143 mil profissionais em todo o planeta.

 

No Brasil, a empresa conta com 1.300 funcionários – distribuídos em dois Centros de Desenvolvimento, em Barueri e Brasília – e tem, no comando de toda essa operação que mistura a criatividade brasileira com a expertise da Índia, um dos países mais fortes no segmento de TI, o experiente executivo Cesar Castelli, que teve papel de destaque na fundação da subsidiária brasileira em 2002, saiu após três anos e, no final de 2007, voltou para ocupar o cargo máximo da companhia no Brasil.

 

Em uma produtiva conversa realizada em duas sessões – a primeira na sede da companhia em Barueri, complementada por uma conversa via e-mail – a Revista Inter IT conheceu um pouco mais da TCS e mostra agora para você, caro leitor.

 

Revista Inter IT: Como foi o processo de criação da TCS no Brasil?

Cesar Castelli: A TCS está no Brasil desde 2002, eu comecei junto (com a empresa) a operação no País, fiquei por três anos, saí, e voltei em 2007.

Foi um processo de muitos desafios, porque ninguém conhecia o nome TATA, ninguém conhecia o que a TCS fazia. Nós não tínhamos marca, não tínhamos referências e nem clientes, então foi um processo iniciado cheio de desafios que foram vencidos bem mais devagar do que nós gostaríamos que tivessem sido, mas foram vencidos.

 

Revista Inter IT: A TCS chegou ao Brasil com pouco, ou quase nenhum, reconhecimento dentro do segmento no País. Qual foi o primeiro cliente a abraçar o projeto da TCS? Como foi esse processo de ‘conquista’ do primeiro cliente?

Cesar Castelli: Quando a TCS chegou ao Brasil ela tinha apenas dois colaboradores, eu e a secretária. E como fomos a primeira empresa indiana a aportar aqui, as pessoas ainda não nos conheciam. Perguntavam-nos, inclusive o que era essa tal de “Tatá”. À medida que fomos apresentando os serviços que tínhamos para oferecer e quem era e o que representava o Grupo TATA no mundo, as pessoas ficavam menos resistentes.

Nosso primeiro cliente foi a Renault, no Paraná. O diretor, na época, ligou para nós e disse que em alguns meses ia querer uma reunião conosco. Perguntei por que esperar tanto e peguei o primeiro avião para lá. Alguns meses depois já estávamos prestando nossos serviços inclusive a partir do Brasil para outras filiais da montadora. 

 

Revista Inter IT: Hoje a operação da TCS é completamente estabelecida aqui no Brasil?

Cesar Castelli: Sim, é uma operação estabelecida. Temos um lugar ao sol hoje, eu diria (risos). Estamos competindo no mercado com todas as principais empresas nacionais e internacionais – que não são poucas, nem as nacionais nem as multinacionais.

 

Revista Inter IT: Quais as principais atividades que a TCS desenvolve aqui no Brasil?

Cesar Castelli: Hoje ela é muito vinculada ao suporte de aplicações, desenvolvimento de sistemas e, estamos no início de nossas atividades de BPO aqui (no Brasil).

 

Revista Inter IT: E quais os principais serviços oferecidos pela TCS?

Cesar Castelli: A TCS é a maior empresa de software e serviços da Índia, opera em 42 países e conta com mais de 143.000 profissionais. Para dar um noção da magnitude, a companhia encerrou o ano fiscal 2008-2009 com faturamento de US$ 6 bilhões.

Quanto às soluções, oferecemos pacotes completos que vão desde o desenvolvimento e implementação de plataformas tecnológicas, à sua integração com sistemas preexistentes, promoção de melhorias, atualizações e adaptações às realidades locais, suporte e manutenção de aplicativos, IT outsourcing, fábrica de software, implementação e integração de sistemas ERP, fábrica de testes, consultoria de TI e Business Process Outsourcing (BPO), além, é claro, da entrega de projetos com qualidade e dentro dos custos e prazos preestabelecidos.

 

Revista Inter IT: Quantas pessoas compõem a estrutura da TCS no Brasil e na América Latina?

Cesar Castelli: Bom, a região possui hoje cerca de 7200 colaboradores, sendo 1300 apenas no Brasil. Para acompanhar esse crescimento em números, teremos que multiplicar o quadro de profissionais e já estamos começando as contratações. Só este ano já foram absorvidos 100 consultores e até o final do nosso ano fiscal, em março de 2010, serão incorporados mais 100. É claro que o ritmo de contratações continuará ascendente, mas no momento ainda não podemos precisar quanto. Posso afirmar, porém, que os treinamentos se tornarão ainda mais numerosos e o número de participantes, apenas em 2010, deverá ultrapassar a marca de 850 profissionais.

 

Revista Inter IT: Em 2008, a TCS foi listada entre as 35 empresas de tecnologia que mais cresceram. Para 2009, apesar da crise econômica global, a expectativa é registrar novamente um crescimento acentuado?

Cesar Castelli: Estamos estimando, e cada vez mais perto de concretizar (esse objetivo), encerrar o ano crescendo 15% frente a 2008. E quando eu disse “mais perto de concretizar” é porque nós já estamos – no calendário da TCS – no segundo semestre, porque nosso calendário vai até março, nosso ano fiscal vai até março de 2010.

 

Revista Inter IT: Qual a previsão de crescimento para os próximos anos?

Cesar Castelli: No corrente ano fiscal (que termina em março de 2010) a TCS está crescendo 15%. A verdade é que nossas metas são sempre bastante audaciosas e, com muita dedicação, temos conseguido cumpri-las. Para se ter uma ideia, o atual CEO da TCS tem dito publicamente que sua intenção é dobrar a participação da América Latina – e do Brasil como seu motor-propulsor – nos próximos quatro anos. No ano passado a região representava 4,6% da fatia global e hoje já subiu para 5%. Nossa meta, portanto, é chegar em 10% com o Brasil puxando esse crescimento.

 

Revista Inter IT: E como atingir a metas tão ousadas?

Cesar Castelli: Acompanhando o desempenho da equipe muito de perto e fazendo-a perceber muito claramente quais as suas prioridades. Semanalmente promovemos reuniões com os gestores de cada projeto e já revisamos as metas para a próxima semana. Se algo não estiver tão bem, corrigimos a rota com bastante agilidade. Aliado a esse trabalho de gestão de projetos, temos também um forte suporte do departamento de recursos humanos.

 

Revista Inter IT: A empresa trabalha com ações e projetos baseados em conceitos de TI Verde e Sustentabilidade?

Cesar Castelli: A TCS tem uma série de iniciativas, sobretudo, quanto aos materiais que se utiliza. Que eles estejam em compliance com uma tendência de TI Verde. Mas é algo que temos que melhorar mais, que conscientizar mais sobre a importância desse tema, tanto internamente quanto os clientes.

 

Revista Inter IT: O que você considera ser a tendência de TI para os próximos anos? Business Process Outsourcing tem um futuro promissor?

Cesar Castelli: Sem dúvida, as empresas brasileiras estão começando a perder o medo da terceirização, abrindo muitas oportunidades. A verdade é que quando as companhias delegam para empresas especializadas a responsabilidade sobre suas áreas mais técnicas, além de ganhar agilidade, elas diminuem seus custos drasticamente. E uma área que vem despontando e que ainda deve crescer muito no Brasil é o Business Process Outsourcing, que agrega um serviço de maior valor adicionado aos clientes.

Quanto à tendência para o mercado, acredito que, sobretudo as empresas de varejo e de serviços ao consumidor terão de rever a forma como entram em contato com seus clientes. Por meio das redes sociais, do Twitter e similares podem-se conhecer os hábitos do consumidor e, consequentemente, não fabricar o que eles não vão comprar, evitando geração de estoque. Além disso, sabendo de antemão quais são as suas necessidades, a empresa consegue oferecer mais rapidamente o produto que seu cliente quer. E isso vai requerer investimentos enormes em tecnologia.

 

A entrevista na íntegra foi publicada na edição número 9 da Revista Inter IT, veja a versão Virtual Paper clicando aqui.

 

(Da Redação Corpbusiness & Inter IT)

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